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Pare, agora!

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Caro senhor Tímpano,

Esse seu novo disco, “Eardrum”, é esquizofrênico, não é não? Depois de ouvir pela 18º vez eu ainda não consegui entender como é que o senhor conseguiu convidar gente tão diferente (e díspare) para participar da mesma empreitada. Botou lá: Just Blaze, KRS One. Justin Timberlake, Madlib. will.i.am, Pete Rock. Jean Grae, Norah Jones. Kanye West, Sa-Ra. Fiquei me perguntando o que o senhor estaria tentando dizer com isso.

Claro que a diversidade é uma coisa, assim, supimpa. Misturar, experimentar também. Mas não me parece que esses seus convidados estão aí experimentando alguma coisa com o senhor. Acho que os beats dos neocumpadres Just Blaze e Kanye West pesam bastante na balança comercial, assim como cada minuto do tempo do seu Timberlake na produção ou nas cantorias de refrão (e para o senhor ele fez os dois, hein? Vixe). Assim sendo, me parece que todos vocês ali sabiam muito bem que botões estavam apertando. Idem para a Warner, já que pela primeira vez um disco seu entra na parada da Billboard (e no segundo lugar, hein?).

Como MC, é verdade, o senhor ainda é de uma responsa só –apesar de em alguns momentos eu ter ouvido uma levada ou outra meio parecida com as do seu Kanye, mas acho que era só impressão, não era? Ou convivência.

Agora, onde é que estava com a cabeça, seu Talib, quando deixou o Just Blaze enfiar aquele melamê que chamou de “Hostile Gospel Pt 1”? Ou quando fez aquela canção de novela com a Norah Jones? (“Soon the New Day”). Nhô Kweli, não é possível que o senhor não tenha se sentido estranho ao passar de “Liberation” (aquele excelente disco feito ano passado em parceria virtual com Madlib) para essa experiência… esquizofrênica. Muitas personalidades para um disco só, não?

Talvez a idéia tenha sido aumentar seu peso na balança comercial também. Como se quisesse dizer “Ei, eu posso transitar das ruas ao extremo pop e me manter inteiro”. Mas olha, o senhor vai me desculpar, a intenção pode até ter sido boa, mas esse seu disco simplesmente NÃO É o senhor. Ao menos não o nhô Talib de “Quality” (2002) ou de “Right About Now” (2005, mixtape com o Hi-Tek).

Quando o disco começa, antes da primeira faixa (uma das três boas em 20), vosmecê diz que “não dá para agradar a todo o mundo”. Depois, em “Stay Around”, fica reclamando de como é chato quando as pessoas palpitam demais no seu som (“por que você não rima assim?, assado?, soa mais melódico, mais ‘street’?). Tá certo. “You can’t please everybody.”
Uma amiga minha diria para eu largar a mão de ser chata e que o seu disco é bom, sim. Competente, “bem produzido”. Talvez ela esteja certa.
É por isso que gente como eu hoje é chamada de purista. Mas eu prefiro caipira, seu Talib. Caipira gosta das coisas simples. Prefere essência, sem pirotecnia.

Voltando ao assunto, o senhor não ia conseguir a aprovação de todos mesmo. Mas a ao menos uma criatura o sinhô tinha a obrigação de agradar: o senhor mesmo.
Será que depois de fechar a 20º faixa desse disco tão bem-sucedido o senhor sorriu?

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