Eu ainda era repórter em 2004 quando pequenos pedaços de papel coloridos colados em placas, postes, lixeiras e outros itens do “mobiliário urbano” interromperam o meu caminho. Eu precisava parar tudo e descobrir que raios eram aqueles desenhos sem assinatura (ao contrário do que acontece com a maior parte dos grafites). A pausa para a pergunta virou uma reportagem publicada em 10 de outubro daquele ano.
Três anos depois, parei no meio do caminho pelo mesmo assunto, mas não pela mesma razão. Desta vez a pergunta foi: “Onde estão os stickers?” Desde a semana passada procuro os adesivos e pôsteres que me surpreendiam todos os dias. Não encontro mais.
Fico me perguntando o que terá acontecido. Era modismo, e portanto tinha data de validade? As pessoas que colavam arrumaram emprego em agências de publicidade e de design e não têm mais tempo para a rua? A prefeitura incumbiu uma equipe de “limpeza”, assim como fez com os grafites, de exterminar os adesivos coloridos? Os “coladores” fugiram para a França? [Em busca de respostas, fui vasculhar o fotolog do SHN e encontrei as caveirinhas dando sopa em Marseille].
Lamento não ter documentado os meus preferidos, como fiz em Barcelona (fotos). Dos stickers paulistanos, só me restou a memória.

